sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O Rio Que Não Encanta Mais.



Estivemos em terras (ou águas, melhor dizendo) argentinas. Fomos Guilherme e eu, até a Província de Corrientes, na pequena cidade de Ita Ibaté.

Pescamos no imponente Rio Paraná, principal rio da quarta maior bacia hidrográfica da Terra. Lá, muito diferente daqui, está bem preservado. Não foi dilacerado por diversas barragens, tornando o grande rio de águas rápidas, com enormes corredeiras e centenas de ilhas em uma sequência de enormes lagos para geração de energia elétrica.

Beira o absurdo viajar 1500 quilômetros, por dois países, para pescar em um rio que dista 20 minutos de minha casa. Quem dera fosse apenas uma piada!(de muito mal gosto)

Mas não é.

Ao chegar lá, e ver aquela imensidão de águas, (correntes, diga-se de passagem) com tamanha abundância de diversas espécies da Bacia do Prata, em especial o dourado e a piracanjuba, esta quase extinta nos cursos d'água pátrios,  é impossível não sonhar, imaginar como seria nossas águas se houvesse um minimo de cuidado e respeito.

Cota zero, como estipulado pela leis argentinas, é obrigação nossa, diante dos danos causados em nome do progresso.

Salto Urubupungá.
Insuportável saber que desapareceram (citando apenas os que tenho por perto, adormecidos) o Salto de Urubupungá, Saltinho, Salto de Itapura (este no Tiête, praticamente na sua foz, fincado na mesma formação rochosa dos 2 anteriores), Jupiá, Ilha Comprida, Jupiázinho, juntos com as centenas de ilhas que não puderam resistir ao represamento das águas.

Salto Urubupungá


Salto Urubupungá

Uma curiosidade sobre o nome Três Irmãos, como também é chamada a represa entre Itapura e Pereira Barreto. Sim, é uma homenagem. Mas, ao contrário do costumeiro neste tipo de deferência,  estes não morreram. Apenas foram silenciados.






Salto de Itapura.
Três Irmãos são, na verdade, os três saltos criados pela mesma formação rochosa que corta tanto o Tiête, quanto o Paraná, no município de Itapura/SP.





Salto de Itapura, Salto de Urubupungá e Saltinho.


Salto de Itapura
Saltinho



Salto de Itapura














Salto de Itapura.








A Ilha Grande, também inundada por Jupiá, era formada, a oeste, pelo canal principal do Rio Paraná vindo do salto maior de Urubupungá, e a leste pelo braço menor do Paraná, com origem no Saltinho, e ao sul pelo Rio Tietê. Dessa forma, o braço do Saltinho era afluente do Tietê, e este, por sua vez, afluente do Paraná.

Grade da Usina de Itapura, hoje submersa,
junto com o salto, pela barragem de Jupiá.


Antiga Foz do Rio Tiête. A direita a Ilha Grande.

Foz do Rio Tiête (hoje)



Um capricho da natureza. Como se o Paraná, de certa forma, se rendesse a magnitude de outro grande rio, deitando parte de suas águas nele. Porém, impondo-se novamente pouco depois, tomando para si o todo.



Temos também os rios Sucuriú, Verde, Aguapeí, Peixe, Pardo, todos machucados de forma indelével em razão do desenvolvimento, bem como, de interesses econômicos. Como exemplo, o fechamento da represa de Porto Primavera, que a CESP, após derrubar uma liminar do Ministério Público de Presidente Prudente/SP, e ainda sem Licença do Ibama, iniciou o enchimento do lago artificial a tempo de entrar no pacote de privatizações do governo de Fernando Henrique Cardoso, de forma a inclui-la em uma venda conjunta com as usinas de Jupiá e Ilha Solteira.

Um dos maiores desastres (Crime! Para dizer verdade!) ambientais já ocorridos no Brasil.


Ponte ferroviária no Jupiá - Rio Paraná.
Rio Paraná seguindo para
o sul. 






Rio Paraná.

Foz do Rio do Peixe 





















Para um "filho" da bacia do Prata, apaixonado pelo Dourado como sou, saber que tem um paraíso, criado por Deus para este peixe, destruído pela mão do homem, me põe abatido. Navegar por estas águas paradas de hoje, ciente do que está perdido abaixo da linha d'água é, para dizer o mínimo, deprimente.

Miseravelmente, não há o que ser feito. Não se ouve mais o "entoar" das águas.

Estão em silêncio. O rio não "(en)canta" mais.


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Perfecto!

          Como diz um grande amigo: - "Pode-se pegar um dourado até com um frasco de Cebion!" - e ele tem razão. A agressividade deste peixe é tamanha que não refuga nada que passe dentro de sua janela de ataque.

          Mas existe uma mosca que reúne todos os predicados para ser "A Mosca Douradeira": a Cabeça Andino. E tais foram arrolados brilhantemente pelo mestre, Carlos Ingrassia:

http://carlosingrassia.blogspot.com.ar/2010/02/porque-una-cabeza-andino.html


          Abaixo, uma de minha autoria.




segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Sábado gelado, ventando...




... bom para dormir ou ficar quentinho e aconchegado no sofá de casa.



Mas no rio estava muito melhor!

terça-feira, 16 de julho de 2013

Mais uma Grande Aventura Pantaneira!

Acabo de retornar de mais uma grande pescaria.
Sei que conceituar algo como perfeito é muito relativo. Mas, minha noção de Céu, onde se encontram os anjos e as almas dos justos, tem camalotes rodando o rio, muito mosquito, onças esturrando, animais diversos e aos montes e, principalmente, um peixe cor de ouro adornado por filetes negros.

Se, de fato, o Paraíso for assim, deixo de me assombrar com a finitude da vida.

Desta feita, vivi e senti aquele lugar como nunca antes! Acompanhando grandes amigos e fazendo muitos outros.
A hospitalidade e o respeito do povo pantaneiro me surpreende a cada visita.
Povo cortês, simples, ordeiro, que faz tudo para agradar quem lhes dá a devida atenção.
Para olhos leigos, aparentemente do nada e em segundos, sai um assado pantaneiro, na beira do rio. Aliás, a melhor costela que tive o prazer de degustar!
Mas, para aquela iguaria maravilhosa pudesse ser preparada, os anfitriões navegaram horas rio acima, com a intenção apenas de agrado, de congraçamento, de boas-vindas.

Deferência que somente o povo pantaneiro é capaz de proporcionar.

Incursionamos em três rios exuberantes. Estou extasiado até agora!
Como está tudo às avessas por lá este ano, batalhamos muito para achar o peixe. Mas o "Éden" não abandona os seus, e nos recompensou com belas capturas.
Como exemplo, cito um Dourado que consegui dominar na vara #5, com wire tippet de 6 libras e anzol #2. E ainda um lindo exemplar de sete quilos que meu grande amigo Guilherme conseguiu embarcar aos 45 minutos do segundo tempo.






Guilherme, obrigado por tudo! Apenas para citar uma cortesia, dentre muitas outras, por conduzir o motor elétrico por dias seguidos. Sei que lascou suas costas retorcendo-se na proa apenas para me agradar.

Coisas que somente um grande amigo faz pelo outro.

 Gui, Ne e Nil, um regalo conviver com vocês esta última semana! Me sinto privilegiado de ter amigos tão distintos como vocês!

Parabéns pela nova conquista! Um absurdo de tão bom!

Juninho, sou seu fã!

Grande abraço!

Luiz Logo